
Uma senhora que mora nesse bairro, foi tão acolhedora com um rapazinho que não tinha família, que ele até passou a chamá-la de mãe. Depois que ele a conheceu, a sua vida teve mais sentido, porque podia contar também, com a amizade dos filhos dela.
Ele era trabalhador, morava sozinho, e se sustentava. Sua vida foi marcada pelo abandono, e isso o tornou muito carente e complexado.
Apesar da vontade de vencer na vida, logo cedo ele se acostumou com as drogas. Mesmo assim, era responsável no trabalho.
Aos vinte anos, conheceu uma moça por quem se apaixonou perdidamente. Levou-a para morar com ele. Essa companheira era muito exigente e materialista. Para agradá-la, ele fez reformas na casa e trocou toda a mobília, do jeitinho que ela queria. Por ela, ele se endividava até de olhos fechados.
Depois de um relacionamento estável, ela o abandonou. Ele ficou enlouquecido e começou faltando ao trabalho. A dona Iza tentava fazê-lo enxergar que o melhor seria aceitar a separação. Apesar dele valorizar os conselhos dela, nada adiantou.
Procurava-a no emprego e insistia numa reconciliação, fazendo diversas ameaças.
Num dia ele comentou que daria um grande susto nela; e talvez assim, tudo voltasse ao normal.
Arranjou um revólver e ficou na espreita.
Logo que a viu, fez um disparo. Em seguida, saiu correndo sem olhar para trás. Escondeu-se, confiante de que depois dessa intimidação, ela mudaria de ideia.
Ao amanhecer, procurou um telefone público. Alguém parou ali perto, trazendo um jornal na mão, e comentando sobre um crime. Ele pediu pra ver, e na primeira página estava o retrato dela, e a notícia dessa morte, cujo suspeito seria ele.
Ele não havia mirado para acertar. Ele a queria para si...
Ligou para a mãe dela, e chorando feito louco, pediu-lhe perdão. Tirou o revólver da cintura e deu um tiro na cabeça, cujo barulho ela ouviu do outro lado.
Isso aconteceu há uns três anos.
(11/09/2011)





